Saúde mental discute matriciamento com equipes da Atenção Básica

Na manhã de quinta-feira (dia 8), o Núcleo de Educação Permanente da Secretaria de Saúde de Barueri promoveu um encontro entre representantes de unidades da Atenção Básica para discutir o matriciamento relacionado à saúde mental.

De forma resumida, matriciamento ou apoio matricial consiste no suporte e na intervenção pedagógica-terapêutica praticados por profissionais de diferentes áreas dentro do serviço de saúde. Neste caso, o foco foi a ampliação do acolhimento ao paciente que chega nos equipamentos públicos com uma demanda de saúde mental.

Encabeçaram o evento a diretora de Saúde Mental do município, Ana Briguet, o representante da Coordenadoria de Atenção Básica à Saúde (Cabs), Wellington Correia Menezes, a responsável pela Educação Permanente, Cida Feitosa, e a psicóloga convidada Marina Ramos da Rocha Paes, facilitadora externa mestra em Atenção Psicossocial e Políticas Públicas.

“O que para gente ainda é um grande desafio é como entender que isso não é da saúde mental, mas que é um processo de todos nós. Acho que esse é talvez o maior desafio nosso de fazer com que todo mundo se sinta parte desse processo e que isso possa fazer sentido no seu processo de trabalho e possa ser legítimo como uma construção coletiva. A saúde mental é feita por todos nós, em vários momentos, não é só pelo especialista, pelo Caps”, frisou Ana.

Na mesma linha, Wellington destacou a missão da Atenção Básica em atender a pessoa em sua integralidade. “O fato de a saúde mental entrar nesse contexto já foi um avanço, vendo a nossa definição de saúde, que não se restringe só no cuidar da doença, mas pensar na saúde da pessoa como um todo – saúde física, mental, emocional e até a saúde social. Isso já faz parte de um avanço que a Organização Mundial da Saúde conseguiu ter influência sobre o nosso SUS: tratar a saúde mental como uma questão de responsabilidade da Atenção em Saúde nos dispositivos de saúde públicos”, disse.

De acordo com Marina, dados divulgados no encontro regional em Carapicuíba no dia 30 de julho acerca do tema revelam que 80% dos casos de saúde mental comuns, como tristeza, ansiedade, transtornos do sono e outros, são de resolutividade na Atenção Básica.

A ideia é que, diante de situações assim, não apenas os especialistas em saúde mental tenham condições de receber, amparar e acolher o paciente, mas também especialistas de outras áreas que atuam na unidade, como enfermeiros, assistentes sociais e médicos de diferentes áreas. Trata-se da construção de uma rede de apoio para que todos os membros de uma equipe assumam seu papel nesse acolhimento.

Para Marina, “é importante pensar que matriciamento é uma estratégia pedagógica também, ele não é uma estratégia clínica. Se a gente restringir o matriciamento a esse arranjo significa que a gente sempre vai precisar desses profissionais presentes e o matriciamento vem para a gente pensar um pouco como que a gente consegue diluir e dar ferramentas para que outros profissionais consigam atingir um conhecimento que eu tenho”.

E para exemplificar isso, a psicóloga promoveu uma dinâmica com os participantes do encontro na qual uma pessoa falava e a outra tinha o papel de escutar. Depois de inverter esses papéis algumas vezes, a visitante discutiu com os presentes sobre a dificuldade e a importância da escuta.

Tal projeto está sendo construído há um ano e meio na região. Barueri conta com o dispositivo do matriciamento desde 2015, mas este ano o tema tem sido mais amplamente difundido entre os profissionais. Os envolvidos falaram bastante sobre o desafio que é a execução desse novo paradigma nas unidades de saúde e a importância de se discutir formas de promoção da saúde mental, além do entendimento de que as questões psicológicas se fazem presentes em praticamente todas as situações, sendo, portanto, da alçada de todas as especialidades clínicas.

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Osvaldo De Souza
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